quarta-feira, 4 de março de 2015

EU TENHO MEDO DO FUTURO

"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade".(Karl Mannheim) 



Em todas as áreas da vida é preciso pensar e repensar sobre os direitos e deveres na sociedade. Vive-se em uma sociedade onde a lei é perfeita, mas o cumprimento dela é vexatório. Essa sociedade é moralista, preza pela "família", mas só se for a sua. Cada um pensa apenas no seu próprio mundinho. E isso nunca vai ser "viver em sociedade".

  A situação só é compreensível quando passamos por ela e quem quer passar pela classe miserável de onde vem esses pequenos criminosos? Muito se fala, pouco se faz. E o futuro tenebroso se aproxima cada vez mais. Querem uma lei para a diminuição da maioridade penal, mas o que isso levará? 

Pensar em conjunto é tarefa difícil, mas é disso que nosso futuro depende. Muitas idas e vindas na história; muitas guerras e conflitos, no qual fica claro que a violência sempre existiu. As desigualdades sempre foi o motivo predominante dessas guerras, a ganância de poucos, a ignorância de muitos.

Em situações diferentes em contextos diferentes, ela não é nenhuma novidade. Certo, hoje essa violência está bem mais dolorosa. Se trata de crianças e adolescentes que vão para o caminho da criminalidade, vivem pouco, e o pouco que vivem com certeza é infernal. É triste vê-los pegando em uma arma, ceifando vidas de inocentes.

É penosa ambas as partes, tanto do violador como do violado. Exaustivo acompanhar tanta violência. Não se pode vencer esse mal com mais violência. Dizem que violência gera mais violência e eu acredito nisso. Não se pensa na educação, na arte, música, integração. Apenas na punição. É uma sociedade de dedo na cara, acusações.

 Mais uma vez coloco na questão a importância de solucionas as causas e não os efeitos. Isso aprendi com meu professor de ética jornalística há algum tempo, Alexandre Lins, e fiquei com isso na mente, não vou esquecer. Sendo em questão de estado ou particulares, resolver as causas é mais importante para não surgirem efeitos terríveis no futuro.

Não tem como não se revoltar como andam as coisas na sociedade. O sistema, às diferenças sociais, às injustiças. O mundo está se fechando. São problemas ambientais, econômicos, sociais. Problemas na educação, que na verdade, a falta dela é o principal problema. Sem ela, a sociedade virá no que se chama Brasil.

 Agora faço da canção de Raul Seixas as minhas palavras "Seu moço do disco voador me leve por favor", pois está complicado e isso pra todo mundo. Mas, como já havia dito, só nos preocupamos quando acontece com a gente. "Que se dane os favelados com os tiroteios e a violência", agora que ela é generalizada todos querem tomar providências, claro, irracionais e egoístas.

O sistema penitenciário está na falência, na verdade sempre esteve. Não há uma preocupação do governo e da sociedade de receber novamente esses presidiários para o convívio social. Um adolescente que entra com 16 anos, vai sair no auge da sua juventude. Um adulto revoltado, com ódio de quem tem tudo que ele não teve. Querem lutar pela a diminuição da maioridade penal, mas porque não se luta com o mesmo gás pela educação?

A sociedade está revoltada e desesperada com o caos da insegurança. O desespero leva a imaturidade e até mesmo a irracionalidade. A Mídia que deveria levar a massa ao conhecimento e ajudá-la a resolver seus conflitos da melhor maneira possível, apenas piora o que já está lamentável para os ditos "animais racionais". Estamos indo para um caminho assombroso. Uma justiça falha, uma política corrupta, uma mídia mercenária, uma sociedade alienada.

Família


A revolta e a criminalidade é uma consequência da desigualdade social. Ninguém tem pena de uma criança ou adolescente que não teve família, que passou fome, que comeu o pão que o diabo amassou. Será que eles vão ter pena da sociedade que a jogou neste mundo? Será que colocar esses menores no mesmo lugar de adultos resolverá a criminalidade? E quando este sair da prisão?

As crianças antes representavam a pureza da sociedade, é inadmissível que hoje represente insegurança, medo, ódio, revolta. O que levaram esses dados catastróficos? Há explicação para esse terrível mau no meio infantil?

Basta analisarmos a história que veremos muitos motivos para esse agravante. Acreditem, a falta de leis para a diminuição da maioridade penal não é algo relevante de se pautar. A violência não diminuirá. Serão adultos mais perigosos no futuro. Mais policiais, mais presídios não diminuíram a violência até hoje. O que vejo nitidamente que aumenta a violência é a diferença social e o sistema corrido atual.

Primeiramente, coloco o papel fundamental da família, a base estruturar de qualquer cidadão. Embora haja exceções, o ambiente no qual o indivíduo se encontra influencia muito no seu caráter. Vemos em um mundo desigual, um mundo desenvolvido tecnologicamente, porém que retrocede no cuidado com a moral e com os bons costumes.

Ao mesmo tempo em que a sociedade avança cientificamente ela regride moralmente. Antigamente, embora não houvesse tantas tecnologias havia costumes familiares e sociais que faziam da sociedade um ambiente melhor de se viver. Os ensinamentos familiares são fundamentais para o crescimento de um ser.

Deve ser por isso que a geração atual está tão caótica, com a mudança de ambiente tudo ficou diferente. A mulher passou a trabalhar fora juntamente com o pai. O capitalismo com suas cobranças, tornou o sistema apenas preocupado com a materialidade e com o presente. Não há tempo para a família e sim para o trabalho que é cobrado.

Tecnologia

É a nova era na sociedade, a ciência avançou muito, o que torna o mundo virtual uma febre que atinge em massa as crianças e adolescentes de todo o país e de todas as classes sociais. Deveríamos ficar felizes com tantas inovações, porém ao mesmo tempo que a saciedade avança, também dar paralelamente um passo para trás.

  A tecnologia tem retardado a moral humana, poderia uma ótima ferramenta para o aprendizado. Mas o que vemos são crianças viciadas com jogos, nas redes, acelerando um processo de crescimento. Amadurecendo cedo demais. É a era da ostentação. Todos querem as novas inovações.

 Em um mundo tecnológico, onde se troca de tecnologia como quem troca de roupa. Todos com seus aparelhos da última geração, esbanjando riqueza. Um indivíduo da classe baixa não vai medir esforços para "ostentar" também. É o que se espera de um sistema amplamente desigual. Poucos tem muito, muitos tem pouco.

Governo

Na história do ser humano nunca se viu um modelo ideal de governo. E olha que foram vários. A verdade é que o se humano em si, não sabe viver em comunidade e uma liderança menos ainda exercer seu papel. Houve e ainda há guerras, governos absolutos, ditadores, oligarquias, monarquias, democracia; enfim vários modelos fracassados no qual a violência nunca deixou de existir e onde a classe baixa sempre foi a mais penalizada.

Tratando-se do Brasil, um país ‘democrático’, porém capitalista, as diferenças sociais são expressivas demais, consequentemente a violência vem junto. O governo como sempre não toma as devidas providências e mais uma vez a classe menor passa a sofrer. É impressionante que os séculos passam e o rico fica mais rico e o pobre mais pobre.

Acho "incrível", por sinal, nossos representantes brigarem por leis como a diminuição da maioridade penal e não pela educação, saúde, saneamento, lazer. Passam horas brigando por um absurdo.

E o futuro?

 Tenho medo do futuro, pois o presente já está assustador demais. Das cobranças do sistema, que empurra cada vez mais os menos favorecidos para o abismo. Tenho medo desse mundo onde a pressa e a falta de tempo para questões básicas são os grandes vilões da sociedade.

Meu maior medo é a falta de solidariedade, pois nessa desigualdade sem fim, os mais fortes devem ajudar os mais fracos. Não é o que acontece. Os fracos a cada dia são jogados a própria sorte. Os fortes usam sua força para usos pessoais.

 Eu tenho medo do futuro, não apenas por esse pequenos infratores, mas pelas medidas que são tomadas para solucionar esses problemas. Eu tenho medo de uma sociedade cada vez mais fria, egocêntrica, irracional.

  Eu tenho medo de como as coisas andam, da família cada vez mais separada, da rotina cada vez mais corrida, de um mundo cada vez mais consumidor, destruidor, desigual, desumano.

Eu tenho medo do futuro que se aproxima, bem rápido. Que esse meu medo não seja maior que a minha coragem, de dizer o que penso, mesmo que a maioria não concorde.

domingo, 7 de setembro de 2014

PÁTRIA AMADA BRASIL




Patriotismo, para muitos brasileiros, é apenas futebol na Copa do Mundo. Mesmo assim, só se o Brasil ganhar (Horlando Halergia )




Procura-se o Patriotismo

As recordações do 7 de setembro são as mais lindas nos tempos de escola. Todo aquele desfile; hino no pátio; os saudosos cata-ventos, na época das marchas infantis. Enfim, muitas recordações de uma época boa. A cada ano que passa, as culturas se tornam mais englobadas e o amor pela sua própria cultura  cada vez mais distante. Se não há patriotismo em datas comemorativas, o que dirá durante o ano?

Olho para o Brasil nada Patriota e ouço pessoas dizendo que o odeiam. Muitos dariam tudo para morar para a Europa ou qualquer outro país desenvolvido, que não seja o país do futebol e das desigualdades sociais. Triste realidade para nós, pois toda nação precisa de cidadãos que a amem e que não corram dos seus problemas.

Estudando a história e percebo o quanto o 7 de setembro é importante para nós. Claro que nem tudo foi como conta a história e a vida não um mar de rosas. Mas, é bom vivermos um momento de respeito e amor à pátria, o nosso ambiente cultural. Aqui está a nossa história de vida e tudo que somos é graças ao lugar onde nascemos e crescemos.

O país era politicamente colonizado por Portugal, bem não apenas politicamente, economicamente nem se fala.  Muitas idas e vindas até a data 7 de setembro. O Brasil se livrou politicamente de seu colonizador, um marco para nossas vidas. Claro que ainda temos marcas desses colonizadores, mas o pior já passou. Merecemos e devemos comemorar. Mas, não é isso que de fato acontece.

Vejo as pessoas cada vez mais afastadas do patriotismo. Pessoas completamente preocupadas com suas futilidades e se lixando para as causas que promovem uma nação. Pessoas desacreditadas com a política e com melhoras sociais. Vejo pessoas passarem por um mendigo e achar normal. Vejo todos os dias o descaso dos cidadãos brasileiros que estão apenas preocupados com o seu próprio umbigo.

Vejo, vejo, vejo, vejo... tantas coisas que parece que nunca vai ter fim. Pelo menos não enquanto as pessoas se importarem apenas consigo. Na era do egocentrismo a sociedade se torna um lixo. Pessoas apenas pensando em seu mundo. Viver como uma Pátria é justamente saber viver em sociedade; pensar em conjunto e se preocupar como anda a nação. Mas, não é isso que de fato acontece.

Acompanho com pesar um Brasil completamente desigual. Com uma política corrupta e um povo alienado. Assisto uma mídia fazendo chacota da população. Noto as culturas de fora dominando a nossa, com suas músicas, artes, comidas como fast-food. Afinal,  a globalização não tem apenas pontos positivos.

PÁTRIA AMADA? Que amor é esse que perdemos com o passar do tempo? Todos os nossos valores patriota, onde estão?

Para se chegar ao tão sonhada independência, o Brasil teve que passar por muitas coisas. Todas as revoltas, as inconfidências, as idas e vindas que a Pátria sofreu, não devem ser menosprezadas, jogada ao vento ou simplesmente esquecida pelos seus cidadãos.

Como vamos melhorar o nosso país, se não o amamos? Como vamos educar nossos filhos?

Com cultura Americana? Com comidas de fora? Artistas de fora? Plantando neles a vergonha que temos do nosso país?

A vergonha que temos que ter é de nós mesmos. Cidadãos medíocres que afundamos o nosso próprio país, pois tudo o que ele é depende da geração que o constrói. Sim a Pátria é o reflexo da sociedade. E se estamos indignados com a violência, com a saúde, com a educação com as desigualdades, com a política corrupta... Por que não lutamos pela nossa bandeira?

Existem aqueles que preferem lutar pela bandeira de um partido político ou de um clube de futebol. Nada contra, por mais que pareça, mas as nossas lutas devem ser principalmente pela bandeira do nosso país.

Os problemas?

Esses, devemos analisar; discutir; gritar; espernear e tentar resolver como cidadãos que vivem em sociedade.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

CORTA PRA MIM




"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma." (Joseph Pulitzer 1847-1911)



Chega Violência?


Sabe-se que não é muito tranquilo iniciar discussão sobre violência, sob qualquer visão. Trata-se de um tema ainda bastante penoso e pesado, contudo, apesar da intranquilidade, caminhar é preciso e ir a fundo à questão significa atentar para este problema. Atentando se reflete; refletindo se busca soluções. E é este o caminho que  a sociedade precisa.



Vivemos uma época de violência descontrolada. Assaltos, assassinatos e crimes assombram uma sociedade desamparada. O sistema cria monstros e faz vítimas. Muitos vão dizer: Vai de cada um, tem pobre trabalhador. Realmente, vai de cada um, todos merecem ser tratados diferentemente. Cada um possui uma história carregada nas costas, influencia etc. Todos os fatores devem entrar em questão.



A mídia, se aproveitando do caos, faz seu show em busca de audiência.  Vê-se constantemente, um jornalismo descaradamente sensacionalista. Com o poder que os meios de comunicação possuem, a sociedade vai a caminho da alienação e ignorância. A mídia, ou melhor, seus patrões, não se importam como anda a sociedade. Eles pensam apenas no seu bolso. A violência tem rendido dinheiro, e eles vão investir cada vez mais no show.



A aceitação da população quanto à linha editorial de certos jornais, torna a violência cada vez mais difícil de ser resolvida racionalmente. Acredita-se que a intenção é justamente a alienação deste público. Os grandes empresários, não querem uma sociedade bem informada e pensante. Eles querem apenas consumidores, e estes devem está de acordo com o sistema excludente, competitivo e descaradamente desigual.



Neste contexto de interesses, quando se apoia os Direitos Humanos geram um batalhão de críticas e xingamentos. Coitados dos psicólogos, sociólogos, advogados e etc. É extremamente complicado, rebater tudo que a mídia joga na grande população. O sensacionalismo tornou-se moda e como sempre a racionalidade retrocede. É o tempo de ódio e insensibilidade. A mídia apresenta dois extremos para a violência; a morte ou a cadeia dos infratores.



Não se trata de demagogia, ou utopia. Não acredito em que mundo perfeito possa existir, pois erramos constantemente. Não se trata de apoiar os erros das pessoas. O crime nunca vai ser algo em que as pessoas vão defender. A ideia sempre foi resolver as situações de forma mais plausível possível, pois é a grande massa que possui essas vítimas de geração em geração. A cada ano que passa esse sistema se torna cada vez mais desigual. Coitada da terceira classe, de lá que vem esses infratores, que nem sempre tem uma opção, ou orientação para ser um cidadão de bem. A mídia está colocando a população contra ela mesma.






Precisamos nos questionar sobre o que vai ser do Brasil no futuro.  A criminalidade está no comando.  E convenhamos. não se pode afirmar que o crime cresceu por falta de presídios ou de policiamento. Estes dois são apenas para contornar a segurança da sociedade. Resolver a questão da violência desta maneira é tratar apenas das consequências e não das causas.


No mundo desigual, sempre haverá pessoas que irão de uma forma ou de outra denegrir a lei. Imperfeição é sinônimo da humanidade e aquele que nunca errou que atire a primeira pedra. Todavia o homem é um ser fantástico que está em constante mudança, melhora, piora, cai e se ergue novamente. Dependendo da sua motivação, ou seja, se o mundo está favorável a ele, a chance de errar é menor.



A questão a se discutir é a seguinte: Onde está o povo pensante que luta a favor dos direitos de todos? Será que a mídia e as autoridades só se voltam para os mais favorecidos? Apenas os ricos tem o direito ao lazer, educação, alimentação, saneamento, alimentação, transporte?

Enquanto uma pequena classe concentra terras e terras em suas mãos, milhões e milhões em sua conta corrente. Existe a grande massa que sobrevive com um salário mínimo, tendo uma família com dez pessoas, e mais ainda, há aqueles que vivem miseravelmente passando fome. O que dizer dos moradores de ruas?


A estrutura familiar, a educação, clínica de reabilitação de drogas, lazer, um ambiente favorável e entre outros fatores são fundamentais para uma possível "paz" social. São gastos para os cofres públicos? Evidente que sim, mas para um país que investe bilhões em futebol, é presepada chorar para dar um investimento nas causas sociais. A desculpa dada a população é que haverá retorno da copa com o turismo, mas esse retorno é para qual grupo?



Empresários? Aqueles que possuem grandes empresas que exploraram seus funcionários. Deram uma mixaria de horas extras e ganharam uma fortuna em seus bancos? Nada contra o esporte, afinal é um período de grande entretenimento em que as pessoas se unem para uma causa. Mesmo que seja torcer pela seleção. O problema é que a corrupção não deixa que o país melhore. Como pode os deputados aumentar 100% seus salários, enquanto o mínimo 5%? Somos palhaços? Somos tão ignorantes de aceitar tamanha cara de pau?



E a mídia? Haaaaa, esta faz chacota da nossa cara. Coloca-se como amiga do povo. Coloca-se como porta-voz da população. Mas, na verdade está atrelada a esses poderosos, ou melhor, é um desses que estão no poder. Enriquecendo cada vez mais, enquanto jovens e adolescentes padecem no mundo da criminalidade, no qual vão ser apedrejados e jogados a própria sorte, por ela e em seguida pela a população alienada que faz tudo que a mídia quer.




O que a Mídia Sensacionalista fala?



"BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO"


Essa é a cara do Brasil "democrático", em 'TODOS' são iguais perante a lei.... Essa é a cara da imprensa, que diz ser porta-voz do povo, que diz pensar nas causas sociais. Essa é a mídia que conhecemos. Onde os interesses de que tem mais renda é o que está sendo priorizada. Onde quem padece é a massa.  E acreditem a tendência é piorar.

 Mídia Sensacionalista eu te odeio e é sério!!!!


Por ironia do destino, cair no curso de jornalismo. Confesso que não era um sonho de infância. Mas, sinceramente, me apaixonei pela profissão, pelo menos por sua teoria. O jornalismo tem um poder de influência fantástico. Lidar com os cidadãos, sabendo que eles se espelham em nós, é uma dádiva. Lamentavelmente, muito do que se aprende na faculdade não se concretiza na prática, tornando-se apenas uma ideologia.


Essa é a parte decepcionante da profissão: Tudo fica na teoria, para não generalizar, quase tudo. A ética é praticamente aniquilada, fica uma tristeza na alma, como se o universo da faculdade não fosse paralelo ao do mercado de trabalho.


A questão é que a própria imprensa censura o jornalista. Por incrível que pareça, há muita censura nos jornais. A imprensa tornou-se mercenária e capitalista como o próprio sistema. Ainda há a auto censura, quando o jornalista se vende. Conta-se nos dedos aqueles que optam por um jornalismo íntegro. Cito aqui, o grande jornalista Lúcio Flávio Pinto, no qual sou a fã numero um. Não se vendeu a modinha dos jornais, de cuspir na população a desgraça dos outros.


Pouco me interessa assistir certos programas sensacionalistas, nunca gostei, depois que iniciei o curso menos ainda. São os tipos de programas que perderia a audiência imediatamente se a criminalidade e as desgraças diminuíssem. Sabendo que eles possuem um poder em suas mãos que é justamente a influência. Portam-se dessa maneira desumana, cínica, mercenária, ridícula, calculista, demagógica ou simplesmente sensacionalista.

Eu odeio a mídia sensacionalista pelo simples fato de inverter a realidade dos fatos; abandonar o conceito fundamental do jornalismo que é a defesa dos menos favorecidos; se voltar descaradamente contra os que realmente necessitam e fazer um "show" de assuntos extremamente delicados. Não entendo realmente a aceitação desta linha editorial. Às vezes penso que tenho até problemas e sou do contra em tudo, pois são muitos os telespectadores e leitores desta linha.

Tá rindo do que?

Os sensacionalistas querem audiência a qualquer custo, mesmo que para isso precise ir contra os direitos humanos, mesmo que para isso precisem rir das desgraças alheias.
Um programa só de morte, violência e casos tristes, deve ter palhaçada para quebrar o gelo? Na minha humilde opinião... NUNCA. Nesses programas estilo "CORTA PRA MIM" não noticiam casos bons, as risadas são do que então? das desgraças dos outros? Do salário no final do mês a custo da calamidade?



Um programa em que misturam fatos tristes com piadas sem graça entre o apresentador e os repórteres não deveria ter nenhuma credibilidade.

"Lembram quando sonhávamos em mudar o mundo?
o que nos tirou a coragem"?


O sonho ainda não acabou 

Embora parecer impossível resolver os dilemas desta vida cruel, poderia ao menos amenizar a situação; o sonho de uma sociedade melhor não pode morrer na nação Brasileira. O espírito nacionalista é o mais bonito de se ver, temos simplesmente que amar nossa pátria linda, sim ela é linda por natureza, o sistema que vem destruindo sua essência. 

Infelizmente, apoiamos o  lado da aristocracia ao concordar  com frases que jornalistas burguêses  dizem ,"adote um bandido", como se houvesse apenas essa solução.


  Há várias maneiras de solucionar a criminalidade. A principal é cobrar do governo medidas socioeducativas para amenizar e não mais policiais, penitenciárias para piorar a situação e o indivíduo sair pior do que entrou. Devemos cobrar do governo  investimento nas futuras gerações, pois como sempre  quem paga a maior parte dos impostos somos nós, meros plebeus, pois a classe superior recebe várias benefícios do governo, grandes empresas ficam isentas de impostos , acreditam?????????????
haaaaa vá!!!! incentivos fiscais???? para os ricos ficarem mais ricos????? Só pode!!!

A revolução deve ser a nossa arma e não a violência. A Revolução Francesa mudou todo um sistema e houve mudanças significativas na França que é notada até hoje....

E nós pessoas "de bem", o que vamos fazer?

Aceitar, como alienadados o que nos dizem?

Derrubar a Bastilha (presídios)ou Fortificar?



E os Defensores dos Direitos Humanos são hipócritas?




Hipocrisia é dar uma de defensor da população e


aderir a corrupção.










Hipocrisia é falar de ladrão, sem citar os políticos






corruptos .










Hipocrisia é aquele que luta pela pena de morte e






não pela educação














Hipocrisia é aquele que luta pelo diminuição da maior






idade penal e não analisa as causas.










Hipocrisia é o egoismo forjado de "justiça"....porque


justiça deve ser dada a todos, independente de


classes social.




Hipocrisia é uma mídia dizer que está a favor do povo,


mas é patrocinada pelo governo forjando a verdade,


encobrindo os verdadeiros ladrões, aqueles de terno e


gravata.




Hipócritas são vocês. Burgueses, demagogos, interessados apenas em bens materiais.



Então, não me venha falar de hipocrisia.








quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Chega de Infantilidade .

É mais fácil separar a água do vinho que a hipocrisia da verdade no julgamento das ações humanas.(Carlos Malheiros Dias)


A sociedade precisa de mais racionalidade e menos infantilidade da nossa parte

"Eu odeio gente falsa".
Observação: Eu sou falsa.
"Eu odeio mentira".
Observação: Sou uma mentirosa.
"Eu odeio pessoas invejosas"
Observação: Eu desejo o que não é meu.
"Eu odeio gente hipócrita."
Observação: Eu sou hipócrita.

"Eu odeio...tanta coisa em que eu não enxergo que faço o mesmo ou até pior e sabe porque? porque todos nós somos iguais em tempos diferentes. Infelizmente ou até felizmente todos os seres humanos erram, justamente para uns não se acharem melhores do que os outros. O Egocentrismo sempre existiu, pensar em conjunto sempre foi um problema para a humanidade, se colocar no lugar do outro sempre foi uma barreira. Quando estamos em momentos péssimos nos sentimos melhores quando vemos alguém em uma situação pior que a nossa. Julgamos os outros e enganamos a nós mesmos, nos titulamos sempre a "vítima" da situação.

Não aprendemos a lição da vida. Se alguém quebra um copo é porque é desastrado, se eu quebro foi um acidente. Tendemos sempre achar que somos melhores dos que os outros moralmente ou espiritualmente, que nossas opiniões são melhores, que temos a razão de tudo. 
Porque quando alguém vem aconselhar damos uma patada, "não se mete na minha vida"...."você fala porque não é você"...
Ai vem aquelas indiretas ou diretas mesmo nas redes sociais, "vai cuidar da sua vida..."odeio pessoas que me criticam, "faz melhor". Um turbilhão de infatibilidade, perda de tempo e principalmente a perda de aprendizado uns com os outros. 

Sim, maldamos quem quer nos ajudar, não que seja moralmente melhor do que eu, mas que se preocupa ou já passou pela mesma situação, quando alguém vem nos aconselhar não significa que esteja se metendo em nossa vida, as vezes é apenas para não cairmos no mesmo buraco que um dia caiu, que não deseja ver o sofrimento ou fracasso da pessoa. Até porque que quer nos ajudar fala diretamente que não quer fala pelas costas.  

MALDAMOS TUDO E TODOS E NOS TITULAMOS PERFEITOS 

Pra que tudo isso ? se precisamos uns dos outros...PRECISAMOS DE AMOR um pelos outros...olhemos a trave dos nossos olhos para olhar o cisco do olho do outro. Criamos um certo tipo de cerca elétrica, blindamos  nossa vida e nos afastamos de pessoas na qual aprenderíamos muito.

Como seria a sociedade se fosse plantada a união? 

Seria mais harmônico, as pessoas veriam o lado positivo de cada um e não haveria tantas intrigas. A fofoca acaba com os relacionamentos e com os possíveis relacionamentos, é incrível como uma pessoa que mesmo não conhecendo outra possa odiá-la pelo simples fato de alguém falar mau dela. Cria-se um estereótipo sem fim na sociedade.

Paremos com essa auto defesa desnecessária, na qual perderemos muito como pessoas sociais, individualismo deixa as pessoas estressadas e depressivas, pois querendo ou não somos seres sociais e ninguém aguenta solidão. A sociedade precisa de mais racionalidade e menos infantilidade da nossa parte.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PARÁ

Aqui a gente toma guaraná quando não tem Coca-Cola. Chega das coisas da terra,que o que é bom vem lá de fora.Transformados até a alma sem cultura e opinião. O nortista só queria fazer

parte da Nação(Mosaico de Havena)

foto: Michele Lobo

Quem não te conhece pode querer te envergonhar

Apenas os pontos negativos falar

Mas quem passa a realmente te conhecer

tem bons motivos para jamais te esquecer




Mangueiras na ruas, chuva quase toda tarde

É a tua cara Pará, a quem amo de verdade

teu clima, tuas riquezas, tua vegetação

Te tornas precioso nesta Nação




A tua estrela se destaca na bandeira da nação

Tua gente, tua cultura, tua música, não tem comparação

As tuas comidas típicas é só pra se deliciar

Pará, tem muito de ti para elogiar





E o Ver-o-Peso? Ahh, o Ver-O-Peso revela o ser paraense

um ser simples, feliz, e envolvente

Que mesmo com  problemas e sofrimentos

 Sorrir em todos momentos




Saibas, lindo Pará, que teus problemas não me impedem de te amar

Ser paraense jamais me envergonhará

Ó meu Pará, tenho orgulho de ti pra valer

Sou feliz de nesta terra linda viver





Por: Michele Lobo 


sábado, 19 de outubro de 2013

Entrevista com Lúcio o Flávio Pinto




"Poucas coisas na vida são exatas, mas de uma coisa eu tenho certeza ninguém é unanimidade. Ao longo de nossas vidas definimos nosso caráter, nossa personalidade e vivemos de acordo com normas e princípios no qual adquirimos durante nossa vida. Entretanto, por mais sensatos que possamos ser ou parecer, definitivamente não há como agradar a todos”. (autor desconhecido)


Faço desta frase um pouco do que pude conhecer sobre Lúcio Flávio Pinto. Embora todo o seu caráter exemplar e sua ética profissional, ele é perseguido e odiado por seus adversários. Porém, apesar de não agradar este grupo, acredito que a maior parcela o considera, um dos maiores exemplos de profissional do jornalismo. Eu o conheci desta maneira. Um jornalista cuja conduta é divulgar a verdade. Em meio a tanta podridão da mídia, Lúcio Flávio Pinto se mantém limpo. Que bom que existe um jornalista como ele. Que bom que existe o jornal Pessoal. Que bom que podemos falar que ele é de Belém do Pará, um orgulho para nossa terra.


Foi em uma casa que mais parece uma biblioteca que entrevistei o Jornalista. Figura polêmica, formador de opinião. Admirado por muitos pela coragem de optar por um jornalismo integro, beneficiando a coletividade da informação. Odiado pela elite e pelos os que a defendem, como cita na entrevista. Era o que se esperava, respostas tão inteligente e ao mesmo tempo tão sábia desse jornalista, com 47 anos de carreira e quase 27 anos escrevendo o seu próprio jornal.

 Lúcio se destaca ao criar um jornal livre de qualquer envolvimento com o governo e com outras empresas; um jornal sem patrocínio. O Jornal Pessoal é livre para informar ao leitor uma verdade pura e sem filtração. Lúcio Flávio Pinto se mostrou um jornalista de um alto conhecimento e com algo essencial para uma entrevista: A sinceridade. 




Michele Lobo: O que você mais gosta de fazer?

Lúcio Flávio Pinto: Bom eu gosto de trabalhar, porque o trabalho me dar prazer, de ler e de ouvir música, são as atividades que mais me dão prazer.

Michele Lobo: Qual a sua maior qualidade e maior defeito?

Lúcio Flávio Pinto: Acho que maior qualidade é querer sempre aprender, sempre disposto a descobrir coisas novas. Maior defeito é a pressa, essa ansiedade pra fazer as coisas, que sempre compromete a perfeição.

Michele Lobo: O que deixa você com raiva?

Lúcio Flávio Pinto: Muita coisa. Mas profissionalmente é ver uma informação valiosa não está circulando na sociedade. É uma coisa que sempre me incomodou. Eu sou jornalista, sou como um instrumento, um veículo para transferir as informações que eu obtenho de valores sociais e que tenha importância coletiva para a sociedade, para que ela esteja mais rapidamente possível. Porque às vezes uma informação quando não está casada com os acontecimentos, não acompanham os acontecimentos, ela passa ser uma informação secundária. A boa informação é aquela que entra na agenda do dia do cidadão para que ele use a informação como ferramenta, que é uma arma para tomar as decisões certas.

Michele Lobo: Você tem medo de que?

Lúcio Flávio Pinto: Que o meu medo seja maior que a minha coragem. Todos nós seres humanos temos um componente de medo e um componente de coragem. Quando o componente de coragem é exagerado ai vira uma condição temerária. Quando o componente de medo é exagerado ai vira uma covardia. Então o ideal é você está bem no meio. Nos momentos de medo, mas o medo é sufocado pela coragem, e não ir à coragem até um ponto que chega ao suicídio.

Michele Lobo: Banda preferida?

Lúcio Flavio Pinto: The Beatles

Michele Lobo: Qual sua opinião sobre as drogas?

Lúcio Flavio Pinto: Acho uma droga. Todos os tipos de drogas. Eu nunca fumei, bebiam socialmente até 1991. Quando eu estava na beira da piscina, eu resolvi parar de beber. Está é uma característica da minha personalidade, tomar decisões que mudem para uma situação melhor. Eu achava que a bebida era boa, mas me fazia falar demais. Eu não gostava de falar demais. Eu tomava trinta xícaras de café por dia quando estava no auge das redações na revista Veja em São Paulo. Hoje eu tomo três. Eu acho que o caminho da vida é você procurar eliminar os defeitos que tem e aperfeiçoar as virtudes.

Michele Lobo: o que você faz para melhorar o mundo?

Lúcio Flavio Pinto: eu procuro melhorar a mim mesmo. Depois a minha vinculação ao mundo. Procuro sempre no caso do jornalismo os temas que me tornam importante para a sociedade.

Michele Lobo: O que levou você para o lado do jornalismo?

Lúcio Flavio Pinto: Eu não tive problema de vocação. Porque quando minha mãe estava grávida de mim, ela estava lendo um livro, e quando ela teve as dores do parto, ela estava na página do centurião Lúcio Flavio, meu nome deve-se ao livro. Então a minha relação com o livro era uterina. Meu pai foi jornalista, eu desde que me entendo fui jornalista, participei de jornais de escolas e com 16 anos eu entrei no jornalismo profissional. Então da mesma maneira que eu me descobrir na água aprendi nadar em Santarém antes de eu descobrir o mundo, com jornalismo eu também fui assim.

Michele Lobo: Você também é sociólogo que está formação influenciou na sua carreira profissional?

Lúcio Flávio Pinto: Eu queria ter uma noção mais ampla das conjunturas. O jornalista lido com as conjunturas, com os acontecimentos do dia a dia. Eu queria ter uma compreensão maior, então fui pra sociologia e acho que optei certo. Foi muito importante pra ter essa contextualização dos fatos.

Michele Lobo: Você deu aula em grandes universidades, atualmente ainda há interesse de exercer a profissão de professor?

Lúcio Flávio Pinto: Eu dei aula nove anos na federal; e o que eu senti muito foi que não só a atividade acadêmica e pedagógica exigia muito tempo, mas a politicagem que existe também nas faculdades do governo. Eu estava me desligando dos acontecimentos e estava cada vez mais confinado aos campos universitários. Então eu resolvi parar, porque eu estava me desatualizando. Eu gosto bastante de está em contato com as universidades, com palestras, mas exercer a profissão de professor não mais, a não ser que eu queira me desligar do jornalismo. Fazer bem o jornalismo do dia a dia e as funções de faculdade exige um desgaste enorme.

Michele Lobo: Por que deixou a grande imprensa, passando a se dedicar a um próprio jornal?

Lúcio Flávio Pinto: Várias vezes eu me batia com os patrões e com os editores em relação às matérias mais polemicas, que incomodavam com anunciantes, e eles sempre me diziam: então vai fazer um jornal, quem manda aqui é o patrão. Então eu resolvi fazer um. Eu fiz um jornal porque simplesmente eu não consegui publicar uma noticia que achava que tinha que publicar que foi o assassinado de Paulo Fonteles em 1987. Se for reparar, muitas notícias só saem no jornal pessoal, pela liberdade total. A noticia não é fornecida a sociedade por desinformação, incompetência e até mesmo a covardia dos jornalistas.

Michele Lobo: Qual a importância do reconhecimento do seu trabalho através dos seus prêmios?

Lúcio Flávio Pinto: Desde que ganhei o prêmio ESSO em 84, resolvi não ir atrás mais de prêmios. Até 84 eu ainda disputava alguns prêmios. Porque você passa ser um jornalista de prêmio. Vejo muitos jornalistas incomparavelmente mais bem premiados que eu, mas que, utilizaram uma agenda para serem premiados. E isso é uma condicionante, às vezes até uma limitação. Desde então os prêmios que eu tive foram sem correr atrás, por iniciativa de alguém. É bom por que mostra que as pessoas estão prestando atenção. Não corro mais atrás, mas se eles aparecerem e eu achar que o prêmio é merecedor de crédito, eu acho isso muito bom.

Michele Lobo: Sabendo que, o que move a grande imprensa é os patrocinadores. Como sobrevive o "jornal pessoal" desde 1987?

Lúcio Flavio Pinto: Quando eu fui para o jornal pessoal, eu tinha a principio uma ilusão. De que ele não iria durar muito. E eu queria que ele não durasse muito, por que eu sabia o que era fazer um jornal desse tipo. Seria um sacrifício enorme. Quando entrei para o jornal pessoal, pedir a demissão para "O Estadão", que em respeito aos dezoito anos que eu trabalhei ali, me deu todos os direitos. E com esse capital eu montei o jornal pessoal. O jornal pessoal fez opção pela pobreza. E eu fui me ajustando à pobreza do jornal.

Michele Lobo: Levando em consideração que você tem diversos livros dedicados à Amazônia, que envolvem vários protestos e palestras. Qual o fruto desse trabalho? Tem efeito nesse trabalho tão necessário, mesmo essa guerra sendo tão perigosa?

Lúcio Flávio Pinto: Em 1978 eu estava escrevendo um artigo para uma revista em São Paulo de arquitetura e urbanismo (TJ). Estava escrevendo um texto que falava hectares. Uma pessoa que não tem informação não vai entender qual é a área que corresponde a hectares. Ai parei e fiquei pensado e fui ver dimensões. O campo de futebol tem três dimensões oficiais, eu que o menor das dimensões era equivalente a um hectare. Ai eu escrevi em artigo de 78 que era equivalente a um campo de futebol. De lá pra cá, todo mundo utiliza isso. E tenho certeza que foi a primeira vez que alguém usou. Essa inovação foi a certeza que o jornalismo não se limita a reproduzir as coisas, esta sempre se renovando procurando novas formas de expressão para facilitar a comunicação com o público. Isso foi uma contribuição formal. Outra contribuição é que eu queria uma frase que diga o que é a Amazônia, em 72 (bem antes do hectare), ai eu disse, é um “almoxarifado” do mundo de recursos naturais. Almoxarifado do qual tudo se retira e pouco se repõe. Então passou a ser uma frase comum. Quando você tem a percepção viva da história, você viu aquele acontecimento, conhece o personagem, esteve presente nos fatos, você gera um conhecimento novo. Um conhecimento que produz uma cultura com pessoas que repetem e incorporam a interpretação. Isso pra mim tem sido o maior resultado que eu escrevo, mas sobre tudo das palestras. Provoco muitas discussões nas palestras, as pessoas me procuram, fazem-me perguntas. Ouve casos de palestra é muito importante pra mim, pelo contato direto. Uma pena que muitas das vezes o debate o tempo não permite. Prefiro ouvir o que as pessoas querem saber. O diálogo tem sido bom pra mim que testa meus conhecimentos e renova-o, e espero que para as pessoas também.

Michele Lobo: Você tem noção que o seu nome é citado na faculdade como um exemplo na profissão como você se sente sabendo disso?

Lúcio Flávio Pinto: O mundo acadêmico está cada vez mais voltado pra dentro de si. Cada vez mais preocupado com sua própria carreira. Eu vou pra dentro das faculdades sabendo que de um lado tem as pessoas que me consideram como modelo. Mas o que me interessa realmente é aqueles que ainda hoje questionam o valor da informação jornalística. E eu sou extremamente rigoroso com profissionais da imprensa, que acham que podem escrever sem segurança, sem a quantidade de informações necessárias para construí informação. Tem que ter maior rigor no jornalismo, por que às vezes é a única referencia dos fatos. Principalmente porque o mundo acadêmico se encolheu. Eu fico feliz quando eu vejo quer as pessoas se sentem estimuladas no jornalismo, considerando o que eu faço. Mas minha principal tarefa e o do embate, tanto com os poderosos quanto com aqueles que de uma forma ou de outra servem a eles.

Michele Lobo: Apesar de ser um jornalista admirado por uma grande parcela dos jornalistas. Você se considera sozinho nesta luta por um jornalismo íntegro, sem qualquer envolvimento político e comercial?

Lúcio Flávio Pinto: Não. Tem pessoas aqui e fora daqui que eu respeito muito, que tem integridade, mesmo dentro de uma grande empresa. Porque também é uma ilusão, achar: "porque estou dentro de uma grande empresa não posso fazer nada". Às vezes isso ai é um "habeas corpus" preventivo para pessoa não fazer nada. Eu por exemplo. Trabalhava no "O Liberal", e não podia falar mal do governador que era apoiado pelo jornal. E eu tinha uma matéria contra o governador que denunciava corrupção no governo dele. Eu adotei uma tática. Pedir para o editor do jornal deixa uma pagina de domingo pra eu fazer minha matéria e entreguei no ultimo momento (alegando que tinha uma matéria bombástica), pois, o jornal de domingo tem mais assunto e por isso é antecipado. E sumir (risos). No dia seguinte a bomba estourou, mas já estava tudo feito. O que me dá é o seguinte: É verdade? Eu publico. Eu posso provar? Então eu publico. Se eu não tenho segurança na verdade e se eu não posso provar, então eu não publico.

Michele Lobo: Você acredita que a grande imprensa, um dia, possa voltar a seus padrões éticos?

Lúcio Flávio Pinto: Não. Acho que melhorou em certos aspectos, mas nos padrões que um dia tivemos nunca melhorou. Tem uma democracia falha, em que alguns têm uma capacidade de manipulação muito maior do que a sociedade pode prevenir. É uma democracia limitada pelo dinheiro. Na época da ditadura no AI5 começa a ditadura pra valer, ai começa a censura à imprensa, nas redações e nessa época terrível ninguém pode ter ditadura nas redações. Mas ao mesmo tempo as pessoas eram mais dignas, pois nos sabíamos quem era o inimigo. Hoje o inimigo janta com agente. Autocensura é a compra. Pessoas que recebem mais pra ficar calado, várias formas de sedução. Hoje a autocensura é uma praga. Hoje o jornalista não quer saber se o patrão vai impedir ou não, ele não quer se expor. Se você se deixa vender, é porque você quer se vender. Eu não tenho problema em ser honesto, eu sou honesto.

Michele Lobo: O jornal pessoal tem um espaço dado ao leito. Tanto os que concordam com o que você diz, e os que não. Qual a sensação de receber uma carta completamente ofensiva e ter que publicar?

Lúcio Flávio Pinto: eu poderia não publicar. A carta mais ofensiva foi mandada pelo Hélio Gueiros (três meses depois que ele deixou o governo). A carta começa com o palavrão mais horrível que se pode ter, e termina com o mesmo palavrão horroroso. Foi um impacto enorme. Na época eu quis cobrar pessoalmente, e tentei três vezes e felizmente não aconteceu. Mas eu publiquei, por que eu posso contraditar tudo. Se eu tiver errado, eu digo estou errado, mas pra me ofender, pra mim é muito fácil me defender. Na hora você sente um impacto enorme, é naquela hora que você ver se é covarde ou não. Felizmente em tudo que já passei eu nunca me comportei como uma pessoa covarde seja ao escrever, ou seja, ao me expor publicamente nas ruas. Não sou o mais corajoso dos homens, é por isso que eu vivo. Tenho integridade, e não abro mão disso. Não baixo o nível. Ninguém nunca viu escrever sobre a vida intima dos Maioranas. E eu poderia escrever. Mas quero saber o que se implica na vida da sociedade. Então publico cartas de quem me ofendem sem problema. Minha vida é aberta, pode dizer o que quiser não tenho nada o que esconder. O que eu falo e o que eu digo, é o que eu faço.

Michele Lobo: um acontecimento bem atual é belo monte. O que você tem a dizer sobre isso?

Lúcio Flávio Pinto: eu acompanho belo monte desde o inicio. A história de Belo Monte começou em 1975. O grande problema é como a sociedade pode acompanhar esses projetos, antes durante e depois. Há uma desinformação total, mesmo aqueles grupos que tomam atitudes. Não se conhece totalmente o problema da energia, porque ninguém dar atenção. É muito fácil ser contra ou ser a favor. Você só pode dizer que é contra ou a favor, se conhecer. O grande problema é que os grandes projetos vêm de fora pra dentro, se implantam com um único objetivo. Jogar as riquezas naturais para fora. Amazônia é o grande “almoxarifado” de energia do mundo. Os grandes investimentos no Brasil são feitos par atenderem interesses particulares e não coletivo. E a maioria de quem é a favor ou contra não conhece belo monte.

Michele Lobo: quais são os seus projetos para o futuro?

Lúcio Flávio Pinto: é continuar produzindo e escrevendo. Escrever enquanto estiver com consciência e  lucidez. Poderia ter três vidas iguais a essa e não terminaria nunca.

Michele Lobo: diga uma frase preferida para finalizar

Lúcio Flávio Pinto: eu tenho um lema da minha vida é de um grande poeta alemão – “não fazer mal a ninguém nem a si também. Eis o bem”.

Foi uma honra entrevistar pessoalmente o melhor jornalista do norte, meu exemplo como profissional.




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