quinta-feira, 19 de outubro de 2017

VELHA INFÂNCIA

Não quero adultos nem chatos.Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.( Oscar Wilde)

   

O modo de se viver transforma-se com passar do tempo, o “Belo”, ou seja, a maneira com que a pessoa admira determinada coisa, não é o mesmo de anos, décadas e séculos atrás. Todo conceito de moral, arte, música, produtos vem tendo concepções diferentes a cada passagem de estação. O que os escultores antigos diriam se vissem uma privada em cima de uma mesa, em uma exposição de arte? Ou os músicos clássicos ao se deparar com o “lepo, lepo”? Ou um escritor antigo ao se deparar com o twitter?

Enfim, hoje a massa não se ver sem a internet (o seu belo), o que para os antigos seria algo assustador. Tanto a arte; como a música; como os meios de comunicação a cada dia passam por um processo de “inovação”. Será que o belo atualmente em todos os aspectos são produtivos como antes? Estamos avançando na tecnologia e regredindo nos valores relacionais e sociais? A massificação do belo gerou uma padronização da cultura para todas as idades e classes.

A Industria infantil

Antigamente pensava-se praticamente no público adulto, porém hoje em dia todos os públicos são alvo da doutrina consumista. Do bebê ao idoso, o importante é vender para a massa. Isso consequentemente vem mudando todo o conceito de beleza do mundo. Hoje, sem as ideologias; sem os questionamentos; sem olhar sensível, o dinheiro tem sido o belo da sociedade.

Pouco se fala da concepção de belo para as crianças, afinal elas por um bom tempo eram insignificantes para a “sociedade”. Antes eram olhadas exclusivamente pelos seus pais. Eles que mostravam a beleza dos valores . Era um tempo, em que o belo era semeado de geração para geração.  Tudo isso acontecia até chegar à padronização da estética. Detalhe, o produto para esta doutrina não é apenas o que se pode ser feito nas fábricas, mas tudo mesmo tornou-se produto, até o próprio ser humano.

Então, o capitalismo voltou os olhos também para as crianças. Elas vêm sofrendo mutações de valores constantemente e são nelas que se devem colocar todas as preocupações. Afinal, o futuro depende muito do que são no presente e que formação possuem. Com a cobrança do mercado e as enormes diferenças sociais, a família não agrega tantos valores como antes. Os pais não possuem tempo como antigamente. Não mudou apenas a concepção de belo na sociedade, mas principalmente o sistema e a maneira de se viver.

Os produtos infantis não se diferem aos demais padrões de beleza que o sistema vem promovendo. É o famoso belo pregado pelo modelo atual (capitalismo), ou seja, extremamente consumista e egocêntrico. Sim, de fato, as crianças também entraram no mundo louco do consumo. De uma maneira drástica, o mundo infantil está se transformando. Com essa transformação toda sociedade sofre e altera-se também. Não é à toa que se ver tanta violência em adolescentes a crianças atualmente.


Nostalgia
Antigamente o belo para as crianças, eram as brincadeiras de rua com os amigos. Não existia uma mídia que influenciasse como hoje. Muitas nem possuíam televisão, sendo assim, as crianças usavam sua imaginação e criavam a sua própria beleza. Era o tempo dos barquinhos de papel, revolver de madeira para brincar do famoso "policia e ladrão". As bonecas de pano na maioria das vezes eram feitas pelas mães e eram as melhores. Tinham até as bolas de papel para jogar futebol, quando a de plástico furava, ou até garrafa de Pitchula com areia.  Enfim, a molecada se divertia, brincando na rua, sem produtos caros ou de marca, pois a diversão não estava no valor material e sim na própria brincadeira.

Na velha infância, tinham muitas brincadeiras saudosas, hô e que saudades, não apenas de brincar, mas de ver essas brincadeiras com outras crianças. Bandeirinha; taco-bol, queimada, pula-corda, pipa e por aí vai. Engraçado, era quando passava um adulto na rua, e a molecada dizia "parou, parou, deixa o tio passar". Hoje em dia, quando é que alguém se depara frequentemente com crianças brincando na rua? Vale lembrar que até a classe baixa está aderindo à tecnologia.

A falta de recursos não era barreira para se divertir.   Não precisava de uma alta tecnologia para ser feliz, pois bastava à criatividade da meninada com um toque de simplicidade. O belo era a amizade recheada de diversão, não importando com o que, apenas se brincava e era feliz. Nada atrapalhava a criatividade da criançada.   Uma época de grandes ideias para se brincar e as amizades inseparáveis no "mundo real", eram as melhores, as inesquecíveis.

A cidade não era violenta e não havia muros nos quintais.  Os pais deixavam suas crianças brincarem sem medo da violência. A vida da criança era estudar e brincar, com toda inocência que antes existia. Não havia inveja entre si, e nem a ganância de comprar o brinquedo ou produto da ultima geração para ser melhor que o colega. A competitividade não existia e sim o companheirismo, pois a simplicidade é ser feliz com o que tem e saber que o mais valioso na vida não tem preço. Olhando as crianças atuais, não se vê a felicidade da naturalidade.

A liberdade e a simplicidade era o belo de uma época não muito distante.  Havia muitas brincadeiras de rodas, dentre outras brincadeiras que não precisava de produtos caros para se sentir realizado. Realmente, não é uma época distante que a explosão da televisão e outras tecnologias mudaram a concepção de belo nas crianças.   Uma época em que bastava ganhar uma boneca ou uma bola no dia das crianças que a molecada dava pulos de alegria. Uma época em que, apesar do capitalismo já existir não contaminava as crianças, pois as mesmas não possuíam a ideia do consumismo desequilibrado.

Antes bastava desenhar no chão e com algumas pedrinhas se brincava a tão famosa amarelinha.  A maioria dos produtos infantis era desse jeito, com a própria imaginação e com os simples recursos da época. O belo para as crianças era correr muito com as brincadeiras de rua.  Correr até cansar, brincar até anoitecer. Agora, os brinquedos já veem prontos das lojas.   As crianças não precisam mais forçar sua mente,  muito menos ter trabalho manual para isso, pois a fábrica infantil se encarrega de tudo.

O belo padronizado
O que vemos hoje? As bonecas são perfeitas, que idealizam um padrão de beleza que não existe na realidade. Consequentemente, tornam as meninas complexadas, buscando sempre ser igual à Barbie, Susi etc. As bonecas, sempre loirinhas de cabelos lisos, de olhos azuis. Aí se pergunta: Qual menina vai querer ter uma filha moreninha, se brincou a infância toda com bonecas branquinhas? Estão inserindo bonecas morenas, ruivas no mercado; entretanto ainda é algo muito primário, a estética já foi inserida nas meninas, que na adolescência alisam e pintam os cabelos, compram lentes azuis.

Os bonecos são aqueles dos desenhos animados violentos, o que por sinal incentivam brincadeiras violentas entre os meninos, o que futuramente gera a violência. Afinal, todos sabem que o momento principal da formação do indivíduo é a infância. Tudo que a criança ver, é absorvido por ela. Eis o perigo e a responsabilidades dos pais nesta formação. Por isso muitos não entendem o motivo de seus filhos serem tão rebeldes.

Chegou para as crianças o "belo mundo virtual", que tira a infância real . Elas passaram a se trancar em quatro paredes, para ter "amiguinhos virtuais", tornando-as precoces tirando sua inocência e essência infantil. As crianças não usam mais sua criatividade e energia para se divertirem.  As mudanças nesses produtos tornaram as crianças mais violentas e aéreas da realidade.  Crianças com depressão, obesas por comerem pouco.   As guloseimas que aparecem na televisão, também são atrativas para elas e ficar sentado na frente de um computador, não gasta energia e muito menos perde peso.

Triste consequência

Hoje as crianças estão cedo no mundo das drogas e da criminalidade, o que antigamente era difícil de existir.   Antes os pequenos infratores eram aqueles que moravam na rua, roubavam para comer, não tinha casa, família e a educação.    Um adolescente que tem tudo para ser de bem, tem casa família; se mete na criminalidade, apenas por influência, por desejar o "belo" da atualidade.  É a famosa ostentação. 

Toda aquela simplicidade, não faz mais sentido no mundo contemporâneo.   Infelizmente a beleza para crianças, é simplesmente o que se passa para elas.    Não que seja sua culpa, mas a sociedade mudou e junto com ela as tecnologias, e junto com ela a mentalidade das crianças. Antigamente não se importava com o que as crianças brincavam, eram invisíveis, eram apenas crianças sem poder de decisão.    Mas os capitalistas viram nelas uma fonte de lucros e realmente conseguiram o sucesso nas indústrias de produtos infantis.    Em que geram fortunas com os novos Playstation, tabletes, brinquedos e computadores.

As tecnologias passaram a interessar o meio infantil, entretanto as atitudes das crianças mudaram também.    Atualmente é mais difícil criar um filho com tantas inovações e com um consumismo descarado. O desejo dos pequeninos pelo aparelho da ultima geração; a necessidade de trocar o seu brinquedo antigo pelo mais atual e tecnológico saiu do controle e do orçamento.     Como se o antigo fosse careta e o simples fosse sinônimo de pobreza.

As desigualdades que esses produtos promovem no meio infantil são extremamente absurdas, pois nem todos podem comprar o que estar na moda. Com tantos produtos infantis, com preços exorbitantes os pais se desesperam nas despesas. Brincar agora se tornou bem caro. O belo nos produtos infantis mudou em pouco tempo. Com isso, a geração atual também mudou e a futura consequentemente mudará.     Isso ocorre, de acordo com a transformação que a sociedade sofre, é inevitável. Ao mudar os valores uma série de questões se alterarão.

É a lei da física, “toda ação há uma reação”, tudo que muda têm a sua consequência. Todos os valores morais; a inocência que era o mérito dos pequeninos; hoje não é mais.    Não adianta um pai criar de uma maneira e a televisão; o computador; o vídeo game criarem de outra. Crianças que brincam de violência como nos desenhos serão adultos violentos; crianças que pulam etapas se entretendo apenas no mundo virtual; serão adultos maliciosos.

As indústrias poderiam ter essa percepção e mudar o belo nos produtos infantis.  Fazer voltar os tempos da inocência e oferecer produtos de acordo com suas idades. O mundo agradeceria, pois ele precisa de gerações honestas, puras, sem ganância e violência. Todos esses aspectos começam na infância para perdurar na fase adulta. Mas é claro que hoje é algo impossível, pois o ter é mais importante que o ser. O que governa o mundo é o dinheiro, mesmo que  destrua com toda uma sociedade. O certo,  é que feliz foi aquele que quando criança conheceu outra visão de belo, nas suas brincadeiras simples e inesquecíveis.




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O MAL DO SÉCULO

Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.(Oscar Wilde)


Em um mundo tão egocêntrico em que vivemos, ou seja, um mundo em que as pessoas estão voltadas apenas para o seu próprio universo, fica praticamente impossível pensar em conjunto. Nos meios sociais não há trabalho em equipe, pelo simples fato de um querer ser melhor que o outro, ou acreditar que o individualismo torna as pessoas mais importantes ou destacadas.

O egocentrismo é acreditar que o mundo gira ao seu redor, o ser humano em sua natureza já é assim, por exemplo, quando alguém quebra um copo, o julgamos dizendo que é desatento, atrapalhado ou que não prestou atenção, mas quando nós quebramos o copo, alegamos que foi um acidente. Acusamos o  erro dos outros  e justificamos os nossos, concentramos a “perfeição” em nós e em tudo queremos ser melhor do que os outros.

A situação muda completamente quando é com a gente, “eu não faria isso”, diz uma pessoa quando não está na situação, mas lá na frente faz algo pior e dar sua justificativa, mas o erro da outra pessoa nunca é justificável, nunca é aceitável. O “egocentrismo” é o egoísmo natural do ser humano, não é apenas a pessoa querer as coisas só para si, é a pessoa esquecer que vive em sociedade, esquecer que há seres humanos ao seu redor que vivem o mesmo problema ou algo pior.

Se o egocentrismo não existisse no mundo, a sociedade seria bem menos problemática, quanto mais uma pessoa pensa apenas em si, a sociedade regride um pouco. O problema é que egocentrismo está acelerando no mundo que a cada dia se torna mais capitalista  e consequentemente individualista.

Progredimos na ciência e nas tecnologias e ao mesmo tempo regredimos no nosso caráter e principalmente com o nosso convívio com as pessoas. Apesar do ser humano detestar a solidão ele mesmo se isola colocando o materialismo em primeiro lugar na sua vida.

As consequências dessas mudanças de comportamento da sociedade são trágicas e perigosas. A sociedade só vai bem quando está unidade e quando cada um faz a sua parte pensando em conjunto. Na verdade, desde quando o capitalismo iniciou com as grandes navegações visando o lucro com o sofrimento de povos que já habitavam naqueles lugares o ser humano estava iniciando o seu instinto obscuro do egoísmo, usando inocentes para conseguir sem nenhum esforço riquezas.

 Com o passar do tempo esse sistema foi se tornando cada vez mais insustentável, a vida social foi para o virtual com as tecnologias e haja isolamento e individualidade. Vale lembrar que o egocentrismo anda de ré, ele retrocede em tudo na sociedade, temos que socializar para acabar com o caos que se tornou a convivência.





terça-feira, 10 de outubro de 2017

MULHER



Confesso: quando eu era pequena queria ter nascido menino. Na verdade há pouco tempo ainda tinha esse pensamento.



Tinha vários motivos pra isso. Pela força física masculina; pelo fato do homem sempre ser o "cabeça da casa"; o chefe da empresa; pela diferenças de direitos, desde o horário de chegar em casa até a idade de namorar.



Gostava mais das brindeiras masculinas e a maneira "nem aí" deles serem. Boa parte das brincadeiras femininas estavam relacionadas às atividades domésticas ( fala sério).


Conhecendo a história das mulheres na construção da sociedade, minha revolta aumentou. Quantas injustiças. Quanta violência domésticas; abuso sexual e moral; quantas mães solteiras, largadas por seus companheiros!

Mesmo em pleno séc XXI os números são assustadores, mas muita coisa melhorou ( o nosso espaço está aumentando e não estou falando da cozinha) e sei que ainda vai melhorar.

Confesso que hoje tenho outro pensamento: orgulho do nosso gênero, que mesmo com tantas desvantagens e opressões somos sinônimos de garra; força; coragem, mesclado com amor, sensibilidade e motivação.





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A luta continua!

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Brasil




Um dia nossos filhos e netos abrirão os livros de história e se chocarão com a política que vivemos atualmente.

Uma democracia falha. Um país corrupto que tem coragem de acusar apenas UM PARTIDO.

Não são apenas os partidos, PT, PMDB, PSDB & companhia. O PAÍS é corrupto.

O que falar das escolas que desviam verbas da merenda. Das empreiteiras que desviam verbas das construções públicas. Dos motoristas que pagam propina para não pegarem sua carteira ou veículo. Dos funcionários que recebem com dinheiro público, batem o ponto e não trabalham. Dos desvios de verbas de tantos órgãos, que nem fazemos ideia.

O país é corrupto e mal educado. Joga lixo na rua, o que gera gastos e prejuízos do nosso próprio dinheiro. Não respeita a legislação muito menos o próximo.

Reclama tanto dos seus direitos sem se preocupar com seus deveres. Sim. Temos deveres. A cada direito implica um dever.

O país é corrupto e mal educado. O que falar da educação politizada, de professores e diretores ligados a política e a seus próprios interesses. Dos pais que não querem "gastar seu tempo" educando seus filhos para que o futuro seja "menos pior".

O país é corrupto e mal educado. E isso é generalizado, apesar de odiar generalização. Mas parece que sim, a corrupção é generalizada. Vejo em todos os lugares. Do governo para às igrejas, ONGs, escolas, etc.

Como vamos mudar a política podre se a sociedade é mal educada? Faz coisas erradas e nem sente. Acha um celular e tira o chip. Acha carteira e não procura o dono.

É tudo questão de princípios. Falta princípios nessa sociedade doente.

Que quando quebra o copo foi um acidente. Mas quando o próximo quebra foi falta de atenção.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Conhecimento, aceitação, integração: são fundamentais para jovens que vivem com HIV/Aids


                              


Felipe Araujo, 22 anos, está de bem com a vida. Mas nem sempre foi assim. Há quatro anos, o jovem que mora em Redenção do Pará descobriu que havia contraído o vírus HIV e ficou com uma forte depressão. Felipe saiu do emprego, parou de estudar e só pensava quando iria morrer. "Eu estava ruim de saúde e procurei o hospital, fiz alguns exames, um desses exames foi o teste de HIV, a psicóloga estava com o resultado e me chamou na sala e sem querer eu vi o resultado na folha, naquele momento eu não ouvia nada, não enxergava nada, não sentia nem meu corpo", contou o jovem.

Após descobrir que estava com HIV Felipe foi imediatamente refazer o exame em uma clínica particular e confirmou resultado. “Eu pensava que poderia ter tido alguma falha, ainda estava com um pouco de esperança. Então, lembro que aquele momento foi muito ruim, jamais imaginaria que poderia acontecer comigo. Eu me isolei do mundo, não quis dividir isso com ninguém, apenas com o meu companheiro. O primeiro ano foi uma fase muito ruim, uma fase eu preferir ficar só”, explicou Felipe.

Após um tempo de isolamento Felipe resolveu buscar informações sobre a doença, foi tentar entender o que não entendia direito. Em seguida comunicou sua família, voltou a estudar e trabalhar e conheceu várias pessoas. “Eu achava que era um bicho de mil cabeças. Hoje eu vivo a vida muito feliz. Sou apaixonado por tudo e por todos. No inicio eu tinha preconceito comigo mesmo. Eu aprendi a me amar da forma que eu sou e também aprendi a dá valor à vida e as pessoas. Hoje eu me amo loucamente”, brincou o jovem.

“Cada dia que amanhece eu agradeço a Deus, cada segundo é importante e agradeço. Tudo isso serviu para eu valorizar cada segundo que eu tenho. Fico feliz de ter sido diagnosticado bem no início, sem precisar ter tomado nenhum soro. Graças a Deus muita coisa mudou, a medicina avançou. Antes eu tomava quatro comprimidos diferentes por dia, agora eles uniram em um só medicamento e hoje tomo apenas um comprimido. Sofria muito também com os efeitos colaterais. Hoje não sinto nada”, comemorou Felipe Mauro.

A psicóloga que acompanha Felipe ajudou a conhecer outras pessoas que passavam pela mesma situação que ele e deu o contato de um amigo que faz parte da Rede Jovens + Pará. “Esse amigo também era soro positivo, o que facilitou muito, pois ele entedia tudo que eu estava passando. Quando entrei em contato com ele na mesma hora, sem saber de onde eu vinha, ele me acolheu, contou sua experiência e tirou minhas dúvidas. Através dele eu fui melhorando e passei também a integrar o grupo. Aquele mundo escuro que eu vivia e imaginava era bobeira. Por causa dessa ajuda, hoje estou muito melhor”, relatou.

Atualmente o jovem faz o mesmo trabalho. Ajuda jovens que se encontram em sua mesma situação inicial. Felipe também realiza todo mês uma reunião de prevenção em seu município. “É uma turma pequena, mas fazemos o possível para mais pessoas participarem. O que eu posso fazer eu faço. Faço visita nos hospitais, já passei por momentos difíceis, já perdi amigos, mas também já vi amigos se recuperarem através de mim. Fico feliz quando meus amigos melhoram através de mim. Hoje eu também acompanho vários jovens e já faço parte da Rede Jovens + Pará quase três anos e aprendo todos os dias”, contou.

“Faço tratamento direitinho, minha saúde está ótima, eu não perdi peso e estou muito bem. A minha maior felicidade foi saber que eu tenho uma família maravilhosa, achava que poderiam me dar às costas. Minha mãe sempre me acompanha nas minhas consultas, tenho um irmão ainda adolescente que explico para ele a importância da proteção, do sexo seguro. Conheci pessoas maravilhosas, sou rodeado de pessoas”, Comemorou o jovem.

Para o Felipe, a informação é à base de tudo. A pessoa que é informada dificilmente terá preconceito. “Tinha pessoas que me perguntava se podia bater as minhas roupas juntas com as de outras. Tem gente que não quer pegar na mão, não quer abraçar. Tem esses mitos bobos, que não tem na a ver. E vejo que isso está mudando, pois a informação é tudo. No meu caso aonde chego às pessoas me cumprimentam e me abraçam mesmo sabendo que sou soro positivo, nunca me senti rejeitado em nenhum lugar. Então, no meu ponto de vista esses mitos e preconceitos estão sumindo, comemorou.

“Antes eu tinha preconceito comigo mesmo. Hoje não. Falo naturalmente sem nenhum problema. Eu amadureci muito com esse desafio que apareceu na minha vida. Eu tive que aceitar. Eu tinha que encarar. A única alternativa que eu tinha era encarar. Eu tinha que enfrentar era eu ou eu. Eu superei e fui meu próprio professor. Hoje me sinto muito mais forte, não é qualquer chuva, tempestade pequena que vai me derrubar”, afirmou Felipe.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Joias paraense, economia criativa que reluz

Por: Michele Lobo e Tábita Oliveira
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A produção de joias paraenses está conquistando outras fronteiras, fortalecendo a mineração do estado do Pará, que é a segunda maior do Brasil. Em reportagem especial, as fases da cadeia produtiva ficaram evidentes. O talento e conhecimento indispensáveis  de artesãos, lapidários, ourives e designers puderam ser descobertos,sem eles, a joias paraenses não seriam um diferencial, nem de beleza e nem de qualidade, para o mercado de luxo.

Joias paraenses revelam ao mundo s cultura amazônica. Foto: Site do Espaço São José Liberto

A Amazônia fascina o mundo. Seus encantos, cores, formas, comida, música, arte ainda é um diferencial aos estrangeiros. Entre todos esses fascínios, as joias paraenses vêm tomando um espaço significativo no mercado de luxo. Mais do que metais nobres, as joias carregam consigo a cultura da Amazônia. São peças produzidas com a combinação de elementos naturais, agregando-se, em diferentes proporções, metais nobres, pedras preciosas e semipreciosas.

O cuidado de cada um que faz parte da cadeia produtiva é de valorizar a cultura da região, reaproveitando da natureza o que seria descartado. A joia paraense, que fortalece a mineração do estado, que é segunda maior do Brasil. Fortalecimento mineral, criatividade e toque especial da cultura da região norte vem destacando o Pará mundo a fora. Nos últimos anos empresários paraenses participam de exposições em vários países.

Essas conquistas surgiram com o programa Polo Joalheiro, criado desde 1998, que trouxe novas expectativas no setor joalheiro do Pará, a partir das políticas públicas estaduais que injeta por ano mais de 3 milhões de reais, para fomentar o mercado. O setor é concentrado desde 2002, no espaço São José Liberto, antigo presídio, nele há a loja Universal que oferece um espaço tanto para trabalhar em projetos individuais, quanto para prestação de serviços de ourives, lapidários e outros.
Rosa Neves, diretora do Polo Joalheiro revela o diferencial das joias paraenses
Foto: Daniele Maciel

A diretora executiva do Espaço São José Liberto e do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), Rosa Helena Neves, destaca o compromisso que os profissionais que integram o programa Polo Joalheiro possuem pela a preservação da cultura amazônica paraense e da preservação da biodiversidade. “Antes deles pensarem no consumo, ele divulgam a nossa cultura do nosso estado, eles são elementos que fazem essa difusão, outra ponto que destaco é a qualidade e dedicação de cada profissional, são talentosos, estão sempre se capacitando. Isso faz com que o produto que eles elaboram seja de qualidade”, orgulhou-se.

Para José Fernando Gomes Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), a arte das joias do Pará e suas características da Amazônia é um motivo de orgulho. "Como paraense que sou o destaque das joias me enche de orgulho e aumenta a nossa obrigação com estado e com a população, para que cada vez mais a gente mostre essa arte da Amazônia. Lá em Tucumã se faz joias paraenses e a Jequiti do Silvio Santos compra para vender para todo o Brasil. Para mim é um motivo de muito orgulho, por compreender o setor, mas também como paraense que sou", reforçou.

José Fernando Júnior, mostra os prêmios conquistados com o desempenho da
mineração do Pará. Foto: Michele Lobo
Segundo José Junior, a mineração, é o segundo elo da cadeia produtiva das joias. O primeiro elo é o da pesquisa, em que geólogos pesquisam e fazem descobertas minerais. A cada mil pesquisas uma pode se tornar uma mina, para que se possa tirar produto, ouro, níquel, ouro e ferro.

“Hoje, o Pará tem um planejamento estratégico até 2030 e as empresas devem cumprir um protocolo intenso do Estado do Pará, que devem disponibilizar um porcentual da sua produção para os artesãos para incentivar cada vez mais produzir as joias e biojoias do Polo Joalheiro e outros empreendimentos do estado”, comemorou o presidente da Simineral.

As joias paraenses também contam com apoio de programa de Internacionalização de Pequenas e Microempresas do Sebrae, em parceria com o Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiepa, a unidade de atendimento no Pará da Apex-Brasil e o Instituto Brasileiro de Gemas & Metais Preciosos (IBGM).



Para participar do Programa, qualquer profissional deve fazer um cadastro junto ao Polo Joalheiro. E partir daí profissionais do setor começam a ter acesso a todos os benefícios do programa, entre cursos, espaço, exposições, feiras. Porém o programa exige desses profissionais que a produção seja local, agregando o artesanal-industrial e que usem um design inspirado na cultura da Amazônia.

O espaço oferece oportunidades tanto para trabalhar em projetos individuais quanto para prestação de serviços de ourives, lapidários e outros, e por fim para a comercialização. São 44 profissionais que usam o espaço.


Cada profissional tem um contrato de consignação com o Igama. No caso das joias vendidas, 25% ficam com o Igama e do artesanato, 30%. O dinheiro que fica com o Igama acaba voltando pra os profissionais, na forma de manutenção do espaço e para trazer novos cursos. Anualmente o programa atende em média 1200 pessoas com o objetivo de que esses novos empreendedores se tornem empresários do setor.

Mineração paraense: referência para o Brasil e para o mundo

"O Pará é uma grande província mineral. Ele não é um estado é um continente. Se você pegar todos os tipos de municípios do estado. A mineração do Pará é uma referência para o Brasil e para o mundo. Só aqui é a Amazônia e as empresas filiadas fazem mineração com responsabilidade social, respeito ao meio ambiente, sustentabilidade e respeito as comunidades locais”, a satisfação é de José Fernando Gomes Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral).

José Fernando Júnior está à frente do Sindicato há cinco anos, para o presidente, o respeito ao meio ambiente é um avanço natural do ser humano. Há alguns tempos atrás não havia audiências públicas para instalar os projetos de mineração.



O presidente explica que hoje, para fazer o licenciamento ambiental de qualquer projeto, a Secretaria de Meio Ambiente vai ao município onde vai ser instalada a mina, ouve a sociedade, recolhe aquelas demandas, leva para a gama técnica da Semas, em seguida é feita uma discussão da área técnica. 

Depois o conselho do meio ambiente, que é um conselho heterogêneo, com a participação dos trabalhadores, Ministério Público, Ordem dos Advogados, Ong's, ente outros, que vão aprovar a licença e isso é um grande avanço na sustentabilidade”, relatou José Junior.

A mineração sempre foi uma atividade fundamental na história da humanidade. Ela é responsável pelos grandes saltos de evolução dados pelo homem, porém é comum. Além de joias, a mineração fornece vários equipamentos essenciais para a o dia a dia da população, a maioria dos aparelhos provém da mineração. Além dessas necessidades básicas, a mineração movimenta a economia, gerando emprego e renda.

No Pará, a mineração vem evoluindo e se aproximando cada vez mais da sociedade. As instalações de empresas ganham centenas de postos diretos e indiretos, além de investimento em programas sociais. O investimento e aproveitamento das mãos de obras locais são uns dos muitos compromissos que a Simineral possui com a sociedade paraense.


José Fernando ressalta que só ano passado uma empresa chinesa de mineração comprou no Pará 6 milhões de reais, o que movimenta toda a cadeia produtiva da economia local.Uma outra empresa de mineração nos últimos 3 anos só no município de Parauapebas, só de produtos pagos foi mais de 2 bilhões e cem.

“Tudo isso movimenta a economia, não só com pagamento de impostos, com compras locais, mas também com a base salarial. A remuneração dos trabalhadores da mineração é a cima da média do mercado, o que movimentai ainda mais a economia. É toda uma cadeia envolvida, que a cada 1 emprego gerado na mineração gera mais 13”, comemorou José Junior.



Veja histórias de alguns profissionais da cadeia produtiva



A paixão pela Amazônia de Marcilene Rodrigues
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Textos: Michele Lobo, Daniele Maciel, Tábita Oliveira e Soniely Farias
Produção: Daniele Maciel e Michele Lobo
Edição de vídeos: Michele Lobo e Soniely Farias
Imagens: Daniele Maciel e Michele Lobo
Infográficos: Tábita Oliveira 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A paixão pela Amazônia de Marcilene Rodrigues

Por: Daniele Maciel
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Artesões, ourives, lapidadores e designers fazem parte da cadeia produtiva que está por trás da produção das joias paraenses. Entre os profissionais inseridos na cadeia produtiva de Marcilene estão: Leila Salame; lapidária, Eugênio de Oliveira e Paulo Tavares; artesões e Joelson Leão; ourives, ambos citados pela designer, que admira a competência e a atuação de cada um na elaboração de uma peça.
As peças de autoria da designer ganharam visibilidade no Pará, no Brasil e no Mundo.  Foto: Daniele Maciel

De pele branca, olhos azuis e cabelos loiros a designer Marcilene Rodrigues, natural do interior de Itaituba, no oeste do Pará escreveu uma nova história a partir do encantamento pelos trabalhos manuais. Os trabalhos como psicóloga nos consultórios médicos ficaram de lado para se dedicar as biojoias, na busca de evidenciar a cultura paraense e na versatilidade que são empregadas em cada peça.

As peças de autoria da designer ganharam visibilidade no Pará, no Brasil e no Mundo. O despertar por trabalhos manuais não é algo de hoje. “Desde pequena eu sempre gostei de trabalho manual, trabalhava com artesanato e assessórios desde os quatorze anos, eu lembro quando me deram 20 reais ai eu pedi para minha mãe me levar para comprar um kit de fazer bijuteria. Nossa, pronto, me apaixonei!”, declarou.

Em 2007, iniciou o curso de ourivesaria, na escola Rahma, oferecido pelo Polo Joalheiro do Pará. Segundo Marcilene, é fundamental aprender manusear a peça pra ter noção do processo. “Vi no Polo Joalheiro, no curso, uma maneira de melhorar o meu trabalho, ai tu vais te apaixonando, tu vais vendo o conceito de biojoias diferente, porque eu trabalhava com semente, trabalhava com essas coisas, mas era aquela coisa mais biju, ai a gente muda o nosso olhar, esse olhar para a Amazônia”, afirma a designer.

Os insumos que são usados para confecção, ou seja, composição das biojoias podem ser as gemas minerais, gemas vegetais, os metais, por exemplo, o ouro; a prata e o cobre, chifres de boi e de búfalo, ossos de boi, até mesmo resíduos de madeira. Insumos da região que poderiam ser descartados no lixo, no ramo das biojoias acabam ganhando uma nova utilidade, que geram emprego e renda.

No ramo das biojoias a terceirização é algo comum, logo, os que fazem parte da cadeia produtiva tendem fornecer insumos e mão-de-obra de forma terceirizada, ou seja, tendem a montar a própria equipe que pode variar com necessidade. Nesta área a parceria é primordial para que todos tenham êxito, o designer tem que entender que nem tudo que está no papel é possível ser produzido.

Artesões, ourives, lapidadores e designers fazem parte da cadeia produtiva que está por trás da produção das biojoias. De acordo com Marcilene Rodrigues, conhecer o processo de produção das peças e importante para não puxar a orelha desnecessariamente do parceiro que faz parte da cadeia. Entre os profissionais inseridos na cadeia produtiva de Marcilene estão: Leila Salame; lapidária, Eugênio de Oliveira e Paulo Tavares; artesões e Joelson Leão; ourives, ambos citados pela designer, que admira a competência e a atuação de cada um na elaboração de uma peça.

Desde 2008 a designer participa de exposições e de feiras, no mesmo ano formalizou a marca de sua propriedade “Silabrasila Joias”. Por mais que integre o Projeto do Polo Joalheiro, nada a impede de fazer trabalhos independentes, a exemplo a marca e sua atuação no projeto “Garimpo” que reúne trabalhos de designers, em espaços cedidos por lojas que vendem biojoias, o mesmo ocorre no Polo Joalheiro, onde suas peças ficam expostas na loja Una.

Uma biojoia produzida é quase uma peça única, pois raramente uma peça é igual à outra, por ser artesanal. Logo, são produtos que demoram a ser produzidos. Para a designer, o prestígio da atividade vem ganhando força. “Reconhecimento do trabalho é saber que a gente não está dando murro em ponta de faca. Antes era um pouco desacreditado, e a gente perceber que aquilo que nós temos é muito bonito, é muito valorizado. É gostoso poder trabalhar com as coisas que te dá prazer, por estar divulgando a tua cultura", pontuou. Destacou ainda sobre a aceitabilidade das biojoias no mercado: “O Pará está redescobrindo o Pará, lá fora é uma aceitação fantástica, aqui está tendo essa redescoberta”.


A dedicação do Ourives Joelson Leão

Por: Soniely Farias 
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Joelson além de trabalhar com o metal bruto, ouro e prata, também faz a incrustação paraense. É sua especialidade. Aplica resinas da terra, um diferencial. Dependendo da joia, compra matérias de outros produtores, como gemas e madeiras. 


“Os ourives entram com o trabalho pesado na formação de uma joia, é como um engenheiro que só desenha o prédio, mas quem constrói são os peões”. O relato é de, Joelson Leão, ourives há 19 anos. Não foi difícil conversar com ele. Pessoa bem acessível, apesar da correria. De boa conversa. Estava ocupado, apareciam clientes, tinha demanda. Mesmo assim a atenção foi ótima. Houve várias paradas entre chegada de clientes e serviços. Sua entrevista aconteceu no Polo Joalheiro, o lugar onde atende e trabalha.

Joelson, além de trabalhar com o metal bruto, ouro e prata, também faz a incrustação paraense. É sua especialidade. Aplica resinas da terra, um diferencial. Dependendo da joia, compra matérias de outros produtores, como gemas e madeiras. É dedicado e gosta do que faz. Explica que o especial em suas joias são as cores. “Vai de cada um desenvolver bem o seu trabalho”. O ourives reconhece que cada um tem uma importância na cadeia produtiva de uma joia, mas na maioria das vezes o marketing e o reconhecimento moral e financeiro são dados apenas ao designer.

“O ourives não é designs de formação, mas acaba criando, redesenhando. Temos um papel fundamental com os designers e outros que participam da criação de biojoias. Temos a noção na prática, sabemos o que dá ou não pra fazer”, explica. A peça geralmente é aperfeiçoada pelos ourives. Muitas vezes o designer não tem um entendimento da execução prática da joia. Não entende as limitações. Por isso que o diferencial da joia é a construção da cadeia produtiva e a comunicação entre eles. O ourives acaba ajudando e em casos até cria. A joia acaba sendo um trabalho de equipe, onde cada um faz sua parte e essas relação é fundamental.


Joelson sustenta sua esposa e filho com a profissão de ourives. Faz parte do projeto do Polo Joalheiro e tem a sua oficina. Terceiriza seu serviço. Na sua carreia o apoio do Polo Joalheiro ajuda na estrutura, quando disponibiliza o espaço turístico.

“Apesar da taxa que temos que dar ao Polo, todo o suporte compensa, mas não tenho como depender apenas das vendas daqui”, explicou Joelson. No projeto, ele já participou de vários cursos de capacitação e suas joias são mais valorizadas por conta do espaço turístico, mas seu trabalho já tinha uma história.

Dá forma ao ouro e prata não é tarefa fácil. Uma peça dependendo de qual e, também, do nível do ourives dura em média de um a três dias. Há peças que levam uma semana para serem trabalhadas. O tempo, a prática vai acelerando o processo. Mesmo assim, não deixa de ser um trabalho que requer paciência. São várias etapas, cada um com seu grau de importância.

Para ser ourives tem que gostar, ter uma espécie de relacionamento com o metal. Joelson gosta, não trocaria de profissão, se vê como um artista, pois se inspira e cria. “O ourives é um artesão que trabalha com metal nobre, não deixa de ser uma arte”, completa Joelson.



O olhar de Leila Salame

Por: Michele Lobo
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Leila executa uma profissão rara no mercado paraense, os materiais de manuseio são caros, não vendem no Pará. O lapidário trabalha com gemas orgânicas minerais, conhecida popularmente por pedras preciosas. A pedra bruta é transformada em diversas formas e tamanhos para dar brilho nos cordões, anéis, pulseiras, braceletes e brincos. 
Turistas se encantam com joias lapidadas. Foto: Michele Lobo
A vida de quem depende exclusivamente das vendas não é fácil. Requer dedicação, paciência, contar com a competência de seu trabalho, experiência e muitas vezes com a sorte na economia. “Menina, com essa crise os negócios vão mal, tenho que pagar fornecedores, vou ter que fazer uma promoção para conseguir vender e pagar as dívidas”. A preocupação é de Leila Salame, lapidária desde 1992. Ela estava apreensiva, pois tem uma filha pra sustentar, e é mãe solteira.

Leila executa uma profissão rara no mercado paraense, os materiais de manuseio são caros, não vendem no Pará. O lapidário trabalha com gemas orgânicas minerais, conhecida popularmente por pedras preciosas. A pedra bruta é transformada em diversas formas e tamanhos para dar brilho nos cordões, anéis, pulseiras, braceletes e brincos. 

O trabalho de Leila é uma tarefa minuciosa, tem pedras minúsculas, mas bem trabalhadas. São várias etapas até o produto final, precisa das medidas certas. Leila conta que se errar com a mão tem que polir e refazer tudo de novo. “Tenho que me concentrar para lapidar uma pedra, se não perco material”, conta.

Mesmo com a correria, a lapidária conseguiu um trabalho de destaque na lapidação de gemas orgânicas. Seu principal diferencial na lapidação nacional são os traços marajoaras que caracteriza a região e embeleza uma joia. 

“Eu tenho muitas ideias para o design criativo, mas uma lapidação comum já é bem trabalhosa. Não tenho tempo pra fazer criações, testes. Tenho que pensar na produção, é meu sustento”, revela. Apesar disso, a lapidação é uma paixão para ela. Ama os materiais que utiliza, conhece detalhadamente cada um", explicou.

Como Leila é conhecida no mercado, a maiorias dos fornecedores lhe procuram para vender os minerais. Ela já tem um estoque, que facilita seu trabalho. Assim, quando aparecem as demandas, as pedras já estão disponíveis, pois nem sempre se consegue a pedra desejada. A lapidária não deixa de tocar em um assunto importante, que é a dificuldades de adquirir a matéria prima.

 “O Pará é muito rico, tem quase todos os tipos de gemas minerais, porém a exportação para o exterior é pesada. Exportam toneladas e nós ficamos com quase nada, temos dificuldades nisso”, lamenta. Ainda assim, relatando suas dificuldades Leila não pensa em outra profissão. “Se as pessoas não gostassem do meu trabalho não teria motivo pra gostar, faço com dedicação para que as pessoas gostem também”, concluiu.



A ciência de Paulo Tavares

Por: Micehe Lobo
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Na produção de joias do Pará, Paulo é um grande nome. São 15 anos de pesquisa com gemas orgânicas. Ele utiliza vegetais que seriam descartados e transforma em pigmentações, que em seguida é transformado em pedras.  Um verdadeiro cientista, conhecimento que transforma.  
Paulo Tavares é ourives e pesquisador. Promove cursos no programa Polo Joalheiro. Foto: Michele Lobo

Paulo Tavares é um idealista. Pensa na sustentabilidade. Nascido em Ponta de Pedras, teve um contato especial com a natureza. “Vivia como índio”, conta. Conversando com ele, se tira uma aula de conhecimento. É um pesquisador, um cientista. Entende de Química Orgânica, Botânica, Arqueologia, Biologia. 

Já encantada com tanto conhecimento ele mesmo pergunta. “Você vai perguntar sobre meu grau de escolaridade, não é? Todos que me entrevistam perguntam. Não tenho grau de escolaridade, estudei apenas dois anos em escola de interior”, confessou. Naquela época, no interior, a escolaridade era apenas para o voto, bastava saber escrever o nome. Sua primeira profissão foi de ourives. Geralmente não são profissionais que se dediquem ao estudo. “Todo conhecimento que tenho é do que corro atrás”, explica.

Na produção de joias do Pará, Paulo é um grande nome. A mídia nacional sempre o procura. São 15 anos de pesquisa com gemas orgânicas. Um diferencial para as joias paraenses. Ele utiliza vegetais que seriam descartados e transforma em pigmentações, que em seguida é transformado em pedras. 

“Daqui a algum tempo a maioria das gemas minerais vão acabar, não são renováveis, penso nisso, no futuro”, ressaltou, Paulo. Açaí, pimenta, jambú, urucum, mandioca, pau-brasil, pupunha, etc. Dão origem a pedras de diversas cores, que se semelha com as originais e o melhor, são renováveis.

Além da admiração pelas cores regionais, preza pelo reflorestamento e reaproveitamento de materiais orgânicos “Eu não desmato, não retiro da natureza, reaproveito, planto mudas, faço o que gosto. Se trabalhasse em um escritório de paletó, acho que nem estaria vivo” brinca.
Paulo Tavares mostra uma de suas criações, um filtro para
aproveitar água da chuva. Foto: Michele Lobo

Sua vida é dedicada à natureza. As gemas não estão voltadas ao setor comercial. Paulo também colhe materiais recicláveis, não tem vergonha do que faz. Não possui renda fixa, vive de consultoria, dos cursos que promove no Polo Joalheiro para todas as áreas de produção das biojoias. “Vendemos para os designs, mas não em escala produtiva, gasto mais com as pesquisas do que ganho,” garantiu.. Paulo vai continuar com seu sonho, de tornar o mundo mais agradável com a natureza. Deixou uma lição para nós, que apenas falamos de sustentabilidade, mas não praticamos.